quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Ale,

Nos amamos como doentes terminais. Como se houvesse pouco tempo de vida. Como se fossemos gêmeos do fim. Como se o diagnóstico substituísse a certidão de nascimento.

Mas não há doença, não há brevidade. Há uma puta saudade antes mesmo de terminar o dia junto.

Temos uma naturalidade das coisas ditas, das coisas feitas, das coisas findas, que é difícil até fazer segredo. Preciso me esforçar para não contar uma lembrança e reservar algo para depois.

Quando você me olha, você me pertence. Quando olho você, eu lhe pertenço. O desespero não interrompe nosso riso. O choro não interrompe o nosso abraço.

Não adiamos o que é bom porque o ruim chegou antes.

Você é meu primeiro amor adulto.

Falamos sem parar com uma franqueza insuportável, beijamos sem parar com uma franqueza insuportável, transamos sem parar com uma franqueza que seria insuportável em qualquer momento anterior de nossa vida.

Franqueza é urgência, Ale.

Estamos adoecidos de tanta saúde.

Beijo
Teu
Lobo



Fabrício Carpinejar.

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